28 de agosto de 2013

Fênix



Dos sonhos, subtraído...
Me recolho na agonia do silêncio
No suicídio das horas
Do turbilhão de incertezas
E devaneios...
Surto!
Subjugo-me
Sucumbo ao chão
Devoro-me as entranhas
do ser...
Demoro-me
na languidez
Das cinzas
E em um instante...
Me encontro
Refeito...


Deixa que eu entardeça
Que eu anoiteça
Não me prive
Vem e me prove
Não posso ser manhã a vida inteira
A estrada é longa, mas passageira
E a frescura  da manhã se escapa pela pele
Desfruta da calidez do meu corpo entardecido... e lasso
E quando eu me anoiteça
Cala a minha boca com teu beijo
Me embala em teus cabelos
E assista o último suspiro...




Ivana Oliveira, qualquer dia sem razão de 2013.

Sobre ler poesia

Ler poesia é ler além do espinho, a rosa;
É ler a lama malcheirosa;
É ler estrelas nos olhos de uma criança;
Ler o mar filosofando sobre a vida;
É ler o rio no  fluir de sua dança;
É ler a formiga na sua lida;
É ler o vento anunciando o porvir;
Ler o céu e suas nuances de cor;
É ler o abismo e a montanha;
É ler a rocha e a relva;
É ler a luz e a treva;
E ainda a penumbra;
É ler com olhos fechados...
A ausência,
O silêncio.

Ivana, em algum dia louco de 2012.

12 de enero de 2013

Sina poética

Sabotar a gramática,

violar o verbo.
Nos canteiros de Cecília,
Viver e entender
a sua tristeza.
Enfrentando a lucidez perigosa
que disse Clarice,
na clareza d’alma.
Uma mulher, uma amante, uma diva,
um divã constante.


Ivana Oliveira, 12/01/2013.

10 de enero de 2013

O pescador jogou a sua rede, pescou poucos crédulos.
O mundo não está para peixes, muito menos para patos.
Uma sereia tinha caído na sua  rede, mas deu falha na conexão.

Presentes de Natal

No abrir dos presentes , a mãe recebe uma bíblia eletrônica,  a criança, uma boneca que reza o Pai Nosso.  – É, Drummond estava certo em sua profecia: A máquina orará por nós!

9 de enero de 2013

No dia em que o elefante branco e a ovelha negra saíram juntos para passear não restou pedra sobre pedra.

Ivana, 09/01/2013.
Demoliram seu castelinho de areia, primeira frustração daquele engenheiro.

Ivana Oliveira, 09/01/2013.
Não era por impulso, tinha tudo planejado, pensado em todas as formas, até concluir que a força da gravidade a levaria sem dor. De lá de cima um pensamento a fez desistir: Não veria os comentários nas redes sociais no dia seguinte.

Ivana, 09/01/2013

2 de enero de 2013


Soneto do semeador

 

                               ¿Y si una semilla descubre que es la página de un libro? (Rodrigo Leal)

 

Sai um semeador  a semear,

Uma semente cai à beira do caminho,

Sem notá-la,  passam os pés a pisar

E finda ali no bico dos  passarinhos.

 

Umas entre pedras vieram  dar,

Mas faltam  raízes, mirra-se  o destino.

Outras  se precipitam sobre espinhos

Que, impiedosos,  as fazem sufocar!

 

Algumas sementes lançadas, a contento,

Em boa terra, germinam à luz que clareia,

Se fazem  frutos multiplicados ao tempo.

 

Assim faz este poeta  quando semeia,

Solta o  seu poema à sorte  do vento

E quem tiver desejos que o leia!

 

 

Ivana Oliveira, 25/12/2012

 

Vejo o passado no desmaio sépia
E o azul do porvir...
Mas essa caixa aberta,
Esse presente
É vermelho-cheguei
E chama!


Ivana Oliveira - 02/01/13

18 de diciembre de 2012

Ser Rio

Sou um rio.
E este sobre o mar desfale,
Mas não sucumbe.

O rio se entrega ao vento
Sem perder a leveza dos movimentos
O rio está sobre as pedras
E se alguma está  a sobressair,
Não o detém, O rio é fluir!

 Um dia, como todas as coisas, seca.
Mas enquanto vivo,
Nunca  há de deixar de Ser.

 
Todo rio tem sempre a mesma sina:
Nunca verter
as mesmas águas


Ivana Oliveira, 18/12/2012.
Me perguntam se sou Poeta

Não penso nas definições.
Eu escrevo como o adolescente
ensaiando o primeiro beijo.
O meu poema é esse beijo
A minha língua roçando
Frente ao espelho.


Ivana, 18/12/2012.

Mimesis

A Musa é bela!

E se o quão bela é
o mesmo “bela”
que pinto,
não sei.
Só sei:  Pinto
como a veem
os meus olhos.
 
Ivana, 18/12/2012.

12 de diciembre de 2012

Um incerto poema a um certo poeta

A pedido teu, poeta, parti o teu verso
E ao parti-lo apreciei a mais bela pepita
Reluzindo em meu olhar
Parti outro verso e nele habitava uma esmeralda
Lapidada com muito esmero
E outro se partiu em minhas mãos sem que eu
Esforços fizesse
Encontrei nesse terceiro um  rubi
Que me enrubesceu a face
Mas se tu, poeta, voltas ao meu poema a tua face
E partes, por tua vez, o meu verso
Parte-o de mansinho, faze-o sem pressa
Porque a matéria da minha poesia, oh, poeta...
É tudo o que pulsa na minha artéria...

 Ivana, 12/12/12

11 de diciembre de 2012


Como adestrar esse ser selvagem
Chamado sentimento?
Como domesticar um coração
Que abusa da coragem
De quem  se des-pe-da-çou
E se (re)fez a contento?
Como se cria, cada dia
Essa fera que se lança
Quase que involuntariamente
Nesse ímpeto de entregar-se
E esperar o que não se espera?
Tu me dizes: Tem cautela!
E eu te pergunto: Com qual medida?
E se domino a fera
E se a domestico e adestro
Se acaso encontro essa tal medida...
Chamaria, então, a isso, Vida?

 

Ivana, 11.12.2012.

Embarcoração

Meu coração é um barco
sem praia, nem âncora...
Sempre vai em alto mar,
em meio às tempestades.
À deriva — os seus deleites,
quer apenas Navegar!


Ivana, 11.12.2012

29 de noviembre de 2012

A cor de Iemanjá


 
De que cor? De que cor é Iemanjá?
Deusa Iorubá, negra como a noite!

Mas uma voz teimosa vem em açoite:
Branca como dia, cabelos longos a bailar!
De que cor, de que cor é Iemanjá?
A sábia voz do vento veio me calar:
Iemanjá?  É da cor das ondas do mar!


Ivana Oliveira, 29/11/12.

5 de noviembre de 2012

Tripla haste e tripla rama
driblam, juntas, o olvido:
nas flores da tua cama,
na que és, nas do vestido...

autor: Thiago El-Chami

22 de octubre de 2012

Nasce um poema


Nasce um poema...

E eles querem saber quanto pesa,

Quanto mede,

Qual o sexo do poema?

 

Nasce um poema...

Gerado num instante fecundo

Um prematuro poema,

Inseguro estar neste mundo.

 

Nasce o poema

De parto normal como toda criatura

E todos querem saber:

O que será do poema?

O que será quando crescer?

 

Ivana Oliveira, segunda-feira, 22 de outubro de 2012 às 12:02.

Soy gris


 
Sí, soy gris, lo soy, lo sé…
Pero también soy rosa
Y  lila y roja o amarilla…

Pero hay días y tardes y noches
Que me cuesta dejar de ser gris…

 
Qué estén sellados tus labios
Cuando me quieras echar el rechazo.

Si soy gris hoy, tengo derecho de serlo,
¿O acaso el cielo ha dejado de ser cielo

Cuando viene la tormenta?


 Llega de a poco, siéntate en silencio,
Respeta la muerte de mis palabras,

O los versos lacrimosos que vuelan de mis manos…
Sólo quiero saberme libre

Para ser  gris y así, saberme plena.

 
Ivana Oliveira, primavera de 2012.
 

9 de octubre de 2012

Noche sin estrellas

 
Las palabras clavadas en la memoria
Y una sonrisa que se me apaga.
Noche, inmensa noche,
Son párpados que no se cierran
Y labios sellados en el beso
De una soledad.
 
Noche fría y seca,
Eres desierto en mi ser…
Y muchedumbre de agonía,
Bajo ese cielo que es mi manta
Soy casi tiniebla
Con un hilo de esperanza.
 
Noche negra, madre mía…
¿Adónde han ido tus estrellas?
¿Se habrán cansado de brillar?
Quizás, se marcharon angustiadas
Con la tristeza de mi poesía..
  
Ivana Oliveira, 09/10/12.

15 de septiembre de 2012

Alma de Pájaro


E quando me prendem na gaiola?

E quando me cortam as asas?

E quando, para aguçar o meu canto,

 Me furarem os olhos?

Pássaro sigo sendo...

Posto que nos sonhos

 Ninguém toca!

 

Ivana,  inverno de 2012.

14 de septiembre de 2011

O Erro da Cegonha

BEBÊ RECÉM-NASCIDO É ENCONTRADO EM UM DEPÓSITO DE LIXO...
― Mãe, será  que foi a cegonha que errou o caminho?
A mãe desliga a TV e fita o filho de cinco anos por um instante...
― Heim, mãe? ― tornou o pequeno com o olhar aflito.
― Pior que isso, meu filho, ela  entregou o bebê à pessoa errada.

Jasmim-dos-poetas

Jasmim-dos-poetas - Foto: Jessica Merz

Jasmim,
jaz
(em)
mim
teu
nome.

Ela e a Lua


Flor da pele - em arrepio;
Pétalas, lábios, ambos abertos - em cio.
Um desabrochar ao clarão noturno;
Toques do vento, ondas de calor;
E a lua... - um voyeur!

12 de agosto de 2011

Naturezas


imagem: http://www.queenslatino.com/
Na mesa posta:
Natureza morta;
Na cama, em chamas:
Natureza viva me chama.

Poema despetalado













a palavra é despetalada ao vento...

se me quer bem ou não, que importa?

a pétala escolhe a palma da mão

que irá
c
          a
                     i
                               r

Sol de primavera


Risueño, un sol de septiembre,
se desperezaba en el horizonte…
me relató una ventana bucólica,
mientras esculpíamos formas
bajo las sábanas.

5 de agosto de 2011

IVANA

     
           (A Ivana Oliveira)

AMADA DIVINA,
FEZ-ME LÁGRIMAS DE OLHOS EM CARNE
DESENHANDO OS SONHOS DO MUNDO
SOBRE A TUA PELE FELINA
COMO A REDESCOBRIR O GOZO DAS ÁGUAS
TOCANDO A TERRA EM CIO
NO FERVOR NO SERTÃO
NAS TERRAS DE MINHAS ANDANÇAS
ATADO A TRANÇAS DE NOMES E VÃOS
OBSERVO O ORGASMO DE TUAS PÉTALAS
E DAS PALAVRAS QUE DELAS BROTAM
SUGO RENDIDO O ROCIO MADRIGAL
DE TEUS DEDOS E BOCAS
DE ANJO-FERA,
MENINA-MULHER-MÃE
AMADA CANÇÃO


(ANGELO RICCELL PIOVISCHINI)

Memórias vivas

           A Angelo Riccell Piovischini

Eu vi o poeta desnudando-se da vergonha
e rasurar o poema – página em conflito!

Eu vi o poeta ainda menino, o poeta amigo,
homem-macho-escracho-bicho-bicha,
catando palavras belas, incultas, execráveis à mão cheia.

Vi o poeta revirar o lixo e a luxúria,
beber a própria bílis quando finda a boemia.

Eu vi o poeta masturbando o Narciso de si
com seus dedos e línguas múltiplas.

Vi o poeta soletrando as horas
na fumaça do seu cigarro de palha.

Vi o poeta fazer surgir um Novo Horizonte
a cada piscar de olhos seus.

Vi o mesmo poeta semeando
em terras Queimadas.

Eu vi as lágrimas alegres
e o sorriso triste desse pierrô-poeta.

E vi o poeta, anjo renegado,
prostrar-se ao único deus qu’ ele venera:
o Tempo.


Ivana Oliveira, 05 de agosto de 2011.

Pôr-do-Sol

Pôr-do-sol em FSA - foto: Milvo
esta triste hora
quando no alto o céu doura
é sempre adeus

4 de agosto de 2011

relento



um vaga-lume acende-me
os olhos de noite
e encanta a barra do dia.
enfim é alvorada.
tudo há de passar ao já.


Angelo Riccell Piovischini

before going to bed




despedir-se da noite
levantar paredes de nuvens escuras
cavalgar sobre horas medusas
na fiez do veio do tempo.
sonho, obtuso segredo de musas.


Angelo Riccell Piovischini

NH – FSA, 10/10/10

tese de vento



em plena pausa 
a alma decalca 
os vendavais de mim
elo de roturas nas agruras
que renda ais  sem fim



Angelo Riccell Piovischini

NH – FSA, 10/10/10