30 de agosto de 2009

¿Cuántos ojos tiene la mujer que llora?


Mujer llorando - Pablo Picasso

¡Oh!, ¿Cuántos ojos tiene la mujer que llora?
¿Cuántos hijos le quitaron?
¿Cuántos amores suyos la tierra se tragó?
Un ojo mira hacia Dios,
El otro se cae en suelo triste.
¡Oh, cuán terrible se clavan esos ojos
Cuando la noche rompe
la certidumbre terrena!
La mujer llora las penas
Que el hombre lleva a la tumba
¿Cuantos ojos lloraron por esa herida profunda?
Ojos que la vida no seca
O que el tiempo se olvida...

Ivana Oliveira, agosto de 2009.

18 de agosto de 2009

Carta a Guaratatuba


Hoy te escribí una carta, amor,
Con agua cristalina del Río de la Plata.
Fui tallando su forma
Palabra por palabra.

Todas las frases bellas se fundieron de pronto
En las yemas de mis dedos.

No sé que secretos te contaron aquellas,
Mis palabras, escritas en el agua,
Escritas en las nubes
que transportan los vientos…
Mas cuando las encuentres,
Cuando tus ojos vean esos dulces misterios y
Se encuentren con ellos para reconocerlos
Será como una fiesta de alas desatadas.
Serán una cascada que vendrá a mi encuentro,
Desde Guaratatuba hasta mis besos…

Autora: Susana Suárez
En la ciudad de Montevideo a los dieciséis días del mes de Agosto del año 2009.

18 de julio de 2009

Tormenta Anunciada

O uivar do vento levantou meus temores,
Um suave anuncio de tormenta vindoura,
Açoitando o salgueiro que apenas chora,
Seguido de clarões, fez crescer rumores...

Com fúria, rasgou-se um raio prateado,
Partindo de golpe, este peito ao meio;
Dia se fez noite sob o olhar orvalhado,
E meus sonhos converteram-se em medo.

Com seu manto negro cobrindo as estrelas
Inverteu a ordem do que já se sabia:
Antes vem bonança, depois agonia.

E, perdido, mero náufrago do acaso,
Sob golpes da chuva miro a lama e vejo:
Vítima e vilão de seu próprio desejo.

Ivana Oliveira, 18 de julho de 2009.

13 de junio de 2009

Enigma


Rio e Margem (Río y Orilla)



leva em tuas correntes
as minhas flutuantes ânsias
e deságua em mim
tuas águas mansas

leva-me ao teu leito sereno
onde nunca estive e sempre estou em déjà-Vu
almas distintas, mesmo pulsar, mesmo fluir

yo me conformo en esperarte
aunque llena de anhelo
te espero y me miras
y te miro
eres mi Río
yo soy tu Orilla

Ivana, 13/06/09

Saudosismo

eu canto porque o momento insiste
e assumo: tenho fases de ser triste
por que negaria?
se mais felizes fomos
quando de amor e tuberculose
se padecia

Ivana, 13/06/09.

(In)quieto


a pálpebras abertas foi-se a noite
os passos amanhecem em descomeço
e das janelas ventos sopram o acaso
mas não me levam com eles
e pergunto a pálidas paredes
que ser cativo habita esse quarto?

Ivana, 13/06/09
asas pra serpentes
cálice de mártires
casas sem sonhos - gaiolas de gente!

eu, clandestina, a bordo
estranhada e estrangeira
aventurei-me a ter vez
uma voz respondeu-me ao revés:
cala-te, querida
trota a tu sina
essa é a vida...

Ivana, 13 de junio de 2009.

4 de mayo de 2009

Outro mar

Um vento assobia incerto
rompendo o silêncio no cais
onde a praia não verá regresso
e os sonhos não se cumprem jamais

Despede-se a tarde

e a noite avança
em meio a tua agonia
turbulentas ondas dançam

A vela se rompe

e só assim se sabe:
não é doce morrer nesse mar!


Ivana Oliveira, 14/02/2009

28 de marzo de 2009

Com Licença!

A minha poesia não toma chá às cinco
Não tira a poeira dos sapatos pra entrar
Nem fecha as pernas quando vai sentar

A minha poesia não bebe champanhe
Não se perfuma pra sair
Nem reza pai-nosso na hora de dormir

A minha desentranhada poesia
Não fala baixinho
Nem passa anestesia

Os que são da lira
ouçam:
Fechem as alas
Não quero passar...
Não sou da lira
E tudo posso
negar


Ivana Olvieira, 07/03/09

27 de marzo de 2009

Que caia

se tiver que cair

eu

não colherei

tempestades


Ivana Oliveira, 26/03/09
enquanto eu

acordava

ele

anoitecia

infinitamente


Ivana Oliveira, 26/03/09.

Acaso

Escrevi a lápis o meu destino
Quem o apagou?


Ivana Oliveira

15 de marzo de 2009

Nos olhos de um cão


Nos olhos de um cão
Enxergo o amarelar do tempo
Arrastando num maremoto arenoso
As fagulhas de um mundo febril
Nos olhos de um cão
Ouço o sangue que se escorre
De cada voz que silencia
Nas ágoras da agonia
Num profundo poço vazio
Nos olhos de um cão
Vejo a imobilidade catatônica
De braços viciados, indecisos
Caminhando numa inóspita rua
Escura e sem chão...
Nos olhos de um cão
Sinto o medo que inebria
Cada rosto num conto de fantasia
Uma fada, um duende, um mártir
Um anão, um lobo, um homem
Sentados numa esfera em espiral
Aguardando o alfa e o ômega


Edson de Souza - 21/11/08

Hoja de Papel



Y va flotando la hoja de papel
en blanco
¿Será un pájaro, aeronave o barco?
Quiere posar, tal vez, sobre un río
Quizás, sobre las rocas o corales
Pero el viento celoso
La sopla en remolinos

La hoja se va ya no tan blanca
es cierto
El paisaje le tiñe el cuerpo
Con el color de los sueños

El papel sigue en viaje
Pero al abismo avanza y va
C
A
Y
E
N
D
O

Ivana Oliveira, 29/11/08

La búsqueda

Busco a la Razón
y no la encuentro
en carne y hueso,
ni en manos amigas
ni en el brillo de los ojos.

Busco a la Razón
y no la encuentro
en róseos labios,
en enamoradas canciones,
en la complicidad de las parejas.

Sin saber dónde buscar,
de la Razón desistí
y sin ningún esfuerzo
ella me encontró
debajo del viejo sombrero
trenzado de desencantos.


Ivana, 15/11/2004

GESTAÇÃO

Apelos atirados ao acaso
e assobia a melancolia da espera.
Pode um não abortar a intenção
desse amanhã?
Quem sabe... chegará o dia:
nenhuma flor ousará abrir-se;
nenhum sonho materno sobreviverá,
pois, virá ao mundo
pra desintegrar toda a ganância
um bebê bomba.

Pensamentos vãos

Vagando vão
visitar a cada porto-ilusão
para além de um dia
vida súbita, renascente
em dúvidas...
São os versos pagãos
consolo sublime
Despertar com palavras doces
ressonar em lembranças lúgubres
como ondas golpeiam a praia...
Pensamentos vãos
Vem e vão

Ivana, 06/02/07

a amar

a amar pois
nos convida a natureza
e eu, ser fiel
simplesmente
obedeço



Ivana, 06/02/07

14 de marzo de 2009

O DERRADEIRO DESEJO

Sim, amava-a, com um amor que não era o de estar “preso por vontade”, era apenas de vivê-lo tão livre quanto desejasse, para ser solto foi que ele nasceu, era um boêmio como aquela cidade jamais conhecera. Rosália era o sol que o iluminava de dia, mas à noite era na companhia de bêbados e prostitutas que ele se sentia bem a gosto. Por esse motivo e questões de raça, conquistara Inácio, o desafeto do seu sogro.
— Isso é um caboclo safado, é um vagabundo, minha filha não carece de passar por tamanha desgraça, vamos desmanchando esse namoro! — Dizia seu Augusto.
Para a tristeza de Rosália os homens mais importantes de sua vida se odiavam, ambos trocavam insultos pelas costas sem jamais ter havido um confronto cara a cara. Entretanto, por uma dessas razões que explicam tudo, mas se prefere ocultar, deu-se o casamento entre flores de laranjeira e chuva de arroz. Dona Firmina, contagiada pelo romantismo de Rosália, nem ligava que a filha casasse naquele “estado”. O pai fez-se de conformado, e realizaram tudo segredando os verdadeiros fins que o fizeram engolir seu orgulho.
Imaginava seu pai que o destino ao lado daquele homem sem eira nem beira seria difícil, ofereceu-lhes uma casa na fazenda perto da dele e algumas criações, presente recusado por Inácio. Ele ia mostrar que era um homem de respeito e que não precisava de esmolas do sogro, foram viver num casebre que pertencera a um tio-avô de Inácio. Que ele amava Rosália, disso ninguém duvidava, mas que esse casamento também tinha um gosto de afronta era de se esperar. Enfim, aquele velho teria que aceitar um caboclo na família, casado com a alva Rosália. Após a lua de mel, não demorou para que a esposa conhecesse a mais pura lua de fel, as noites eram amargas, a barriga crescia-lhe sempre carente de um afago do esposo. Inácio voltava pra casa às madrugadas, cheirando a álcool e a perfume barato. Rosália não protestava, apenas se recolhia a algum canto a chorar e depois o cobria de beijos pra ver se ganhava algum mimo.
O nascimento do pequeno Inácio foi uma guerra: Rosália quase não resistiu à dor, fez força, grunhiu, rezou e mais força... Depois de tanta peleja, chorou para a vida o fruto do seu amor com o marido, o confronto deu-se logo depois de se saber o sexo do bebê, o avô e o pai queriam decidir o nome da criança, até que Inácio, quem era o responsável pelo registro, foi ao cartório e registrou à sua maneira, deu-lhe seu nome, o seu filho varão, seu orgulho, mais uma afronta ao sogro...
Inácio continuava na mesma vida boêmia de solteiro, andava mais na rua que em casa, seu filho crescendo e ele cada vez mais ausente. Rosália nunca se queixava, o medo de perdê-lo superava qualquer dor. Até que chegou o dia em que sem motivo algum, sem nunca ouvir uma reclamação da esposa, Inácio cansara-se daquela vida simétrica, daquele sofrer mudo da esposa, de si mesmo... Dera-lhe a desculpa de que ia a São Paulo em busca de um emprego para dar uma vida melhor à família.
As mãos dela, insatisfeitas, esboçavam um “tchau”, para Inácio, apenas um eufemismo do inevitável “adeus”.
O seu menino, que mal chegava à altura da coxa, seria seu porto, seu patuá da sorte que traria o pai de volta. Ele voltaria, queria acreditar nisso como se dessa crença dependesse o sentido para continuar respirando. Queria chorar, jogar-se aos pés dele, implorar-lhe que não fosse, que não a abandonasse, mas sabia: seria inútil. Inácio, implacável, a afastaria de si, detestava os dramas. Ele não lançou nenhum olhar para trás. Ela o seguia com seus olhos lacrimosos, até aquela silhueta desaparecer de vez no nevoeiro da madrugada.
Os dias corriam a galopes com espora, dizem que o tempo alivia tudo, não seria assim com Rosália, o tempo a trazia como escrava, sempre a esperar. Inácio filho, o Cissinho, era um bom moço dado aos estudos e tudo quanto tomasse gosto (essa era a única parte que lhe tocava parecer com a mãe). Cansara-se de ouvir: “Eu olho para você e vejo seu pai”, “você é igualzinho ao seu pai” — tão constantes nos lábios de sua mãe.
Tendo Cissinho completado os 18 anos, e já concluído o ensino médio, seus sonhos o fazia acreditar que já não cabia naquela cidadezinha, queria aventurar-se na cidade grande, fazer faculdade de direito, como era sonhado por todos os rapazes de então. Rosália só soube quando já estavam decididos os planos que o filho há muito acalentava dentro de si. Prometeu-lhe o filho, vir visitá-la sempre. Dessa vez, Rosália não resistiu e chorou, avistar a partida do filho era reviver a do marido, dois golpes a vida lhe dera, outra vez não implorou que ficasse. Era mulher de resignar-se, era de aceitar e guardar seus sentimentos da forma mais firme que pudesse.
Às madrugadas um vulto vagava na penumbra, antes mesmo que o primeiro galo cantasse, e fazia o café, e punha-o à mesa. Os vizinhos começavam a perceber conversas na casa de Rosália, mas só escutavam a voz dela. Certa feita, alguém que espiava pela janela assistiu a cena: Estava sentada à mesa, à direita da cabeceira, e servia o café a uma xícara da cabeceira, depois perguntava ao ocupante imaginário se queria mais açúcar. A notícia se espalhou e chegou aos ouvidos preocupados de seus familiares, que foram em comboio averiguar o caso e tomar as providências cabíveis.
— Rosália, olhe pra mim, sou seu pai.
— Ora, meu pai, e eu então me esqueci do senhor? Me dê cá a benção. — e falou com tanta ternura e sorrindo serena que desarmou a todos.
Depois de algumas conversas, enfim, o pai diagnosticou que não ela não estava louca, não de todo como se pensava, era apenas chamar-lhe ao conselho.
— Rosália, minha filha, estou sabendo... — começou seu Augusto, muito aflito e afetivo, mas ela não o deixou prosseguir.
— Desculpe, meu pai, me casei sem a sua aprovação, tenho um marido que não lhe agrada, mas antes as vontades do meu coração de que a obediência ao senhor. Não importuno a ninguém, só lhes peço que me deixem viver em paz com minha família.
Os parentes se entreolharam, havia uma melancolia eufórica no seu semblante, como se sofrer por aquele amor fosse mais doce que aceitar que ele não mais existisse.
Passaram-se mais uns dias, e desde aquela visita cada passo de Rosália era vigiado. O pai já não agüentava tanto penar, decidido, foi ter uma outra conversa com sua filha, aproximou-se da casa e lá estava ela plantada na janela, com um sorriso débil, meio pálida e úmida na face. Dessa vez as palavras do pai seriam mais duras, não queria poupar-lhe mais, era acabar com isso logo, libertá-la desse fantasma. Falou-lhe autoritário, querendo descortinar-lhe o olhar do véu da ilusão. Ela apenas entoava uma cantiga como as que cantava para seu filho no berço. O pai, nervoso, a sacudia impaciente pelos pulsos, o olhar de Rosália já não estava ali, não via aquelas caras tão penosas, não via seus pais desesperados, alguém lhe tocou a testa, fervia em febre. Desde esse momento não saiu mais da cama, a cada suspiro definhava chamando Inácio. Os olhos pregados no teto pareciam visualizar um filme, olhos de um azul-anil pareciam querer se encontrar com o céu, o tempo se arrastava, suava frio, respirava Inácio, não agüentava gritar, apenas sussurrava.
— Calma, Rosália! Já foram chamar teu filho... — Dona Firmina confortava a filha.
— Inácio, traz nosso filho, Inácio, veja como cresceu. Parece você Inácio! — Delirava Rosália. Chamaram um médico e um padre, um cuidaria do corpo o outro da alma. O médico receitou um antitérmico e o padre deu a extrema unção.
Enfim, dormia tranqüila. Entre as névoas vinha Inácio. Ela à varanda, o mesmo vestido de quando se despediram. Ia encontrar o repouso no seu abraço...
— Mãe, minha mãe! — Cissinho despertou-a adiando aquele sonho idílico. Ela muito lânguida abriu os olhos e sorriu, embora cansada, mais lúcida que antes. A presença do filho chamava-lhe à razão.
— Meu filho — falou a Cissinho num fiozinho de voz, vinda lá do nevoeiro, do fundo daquele sonho. — Vá chamar seu pai, vá, meu filho. É a única coisa que lhe peço, é meu único e último desejo, não posso ir sem vê-lo.
Quanta angústia, quanta responsabilidade para Cissinho, conseguiria ele encontrar o pai que há tantos anos os tinha abandonado? Onde andaria o velho? Será que viria? Chegaria antes de sua pobre mãe dar o derradeiro suspiro? Sem afastar de si as dúvidas, pôs-se a procurar por aquele pai desalmado, que há tantos não o via. Estaria o velho ainda vivo?
Cissinho foi à capital em busca de seus laços paternos, encontrou uma tia, ainda morava na mesma rua depois da caixa d’água. Depois de contar-lhe as causas e os efeitos da sua visita, a tia dando um par de exclamações lastimosas dirigiu-se ao telefone. Discou o número do seu irmão, contou-lhe tudo quanto soubera de Cissinho, Inácio pouco se abalou, a irmã passou o aparelho ao sobrinho. Cissinho, estudante de Direito, era seu grande momento, tinha de convencer o pai a visitar a esposa: Apelou para o amor que um dia os uniu, logo passou ao remorso e como esse não desse resultado, foi pelo caminho da compaixão. Apenas conseguiu arrancar um “vou ver o que posso fazer aqui...”. Cissinho era bom em oratória, mas, para imprimir sentimentos em alguém tão frio, fugiam-lhe os dons. Deu-se por vencido, voltava desconsolado, um fracasso duplo: falhara como o futuro promotor que desejava ser, não conseguira persuadir seu próprio pai, falhara na missão de satisfazer o último desejo da mãe.
Anoitecia, Cissinho estacionava o carro emprestado do avô e lhe vinham flashbacks da infância, sua mãe dizendo-lhe: “Você é igualzinho ao seu pai”. Saíram ao seu encontro o avô materno e outros parentes. Cissinho balançou a cabeça derrotado. Mas, subitamente, brilhou-lhe uma idéia, nascida das pequenas recordações, pediu que ficassem lá com ela e se perguntasse por Inácio que ele estava chegando. Sem entender muito bem, fizeram o que pediu Cissinho. Este por sua vez, voltou ao carro pegou uma maleta e dirigiu-se ao banheiro dos fundos demorando-se lá alguns minutos.
Pouco depois todos os olhares convergiam para aquela figura que se assomava à porta, todos boquiabertos, não viam naquele rapaz de terno cinza senão o Inácio pai, quando jovem.
— Inácio, Inácio... — insistente, chamava-o Rosália , em seu flagelo.
— Estou aqui — Cissinho se aproximou do leito, agarrou-lhe a mão esquerda e beijou-lhe a testa. Era ele, o seu Inácio, na imagem turva que conseguia ter, era aquela mesma imagem, Inácio entre as névoas, meio sério, terno cinza, ele voltou!
Rosália nunca foi dessas moças cujo sorriso se alargava pelo rosto, seu riso era sempre pela metade, como se economizasse a felicidade — seus olhos orvalhados fecharam-se lentamente na medida em que seus lábios sorriam para o infinito.
OLIVEIRA, Ivana P. L. de, O Derradeiro Desejo in Antologia Bahia de Todas as Letras, Via Litterarum e Editus/UESC. Ilhéus -2007.

13 de marzo de 2009

TU GUITARRA




Ayer estuve a escuchar tu música
Los dedos de una muchedumbre
Los acordes de una vida única.
La túnica de deuda a los oídos.

Al instante del buceo leo en fin
La evidencia aun de un porvenir
La mano del tiempo a lamer
la impasible paciencia de horas



Autor: André Vilas Boas

10 de marzo de 2009

... e nem eu, Carlos
que de caducos abundam as academias
São Paulo, terá sido em vão aquela semana?
tantas vaias e depois...
mudam-se os ventos, será?
até hoje ainda se escuta:
faça uma Rima, faça um Soneto
que é pra não dar Bandeira!
vai, Carlos, ser gauche n' outro canto
que essa Terra já anda cheia!

8 de marzo de 2009

Maio



Maio,
Rosa desbotada,
Em ti as súplicas desmaiam
De uma mão desamparada.

Maio, amanheces
Tão amaro e amargas,
Em ti mais um clamor se ergue,
Mais uma lágrima te malha.

Maio,
De sabor caustico,
Cheirando a mofo,
Tens som de tango triste
E a tez do desgosto.

Maio,
Sem pétala, sem néctar,
Marcada pela espera,
Tolhida por incertas primaveras.

Maio,
Onde o medo transplanta um desejo
De logo ver
Outra Maio
Em outros maios.

27 de febrero de 2009

Me gritaron negra

video

Victoria Santa Cruz Gamarra nació el 27 de octubre de 1922, hermana del celebre Nicomedes Santa Cruz, nació en Lima, Perú. Compositora, coreógrafa y diseñadora, exponente del arte afroperuano. Hija de Nicomedes Santa Cruz Aparicio y Victoria Gamarra.

Hay más sobre ella en:

http://www.criollosperuanos.com/Compositores/Victoria-SantaCruz.htm

Olhos no espelho

Ante estes olhos no espelho
as palavras secas e vãs
vão tecendo a tristeza
em meu peito.
Mãos e pés atados...
O tempo fica como um passageiro
esquecido na estação.
O bolero da saudade me baila:
Quiero olvidarlo,
Quiero olvidarlo.
E no espelho meu eco:
eu sou tão só
Tão só
Tão

Lânguida

Debaixo destas densas madeixas
vão tecendo-se lentamente os dias
e eu
soprando as cinzas das horas vou
seguindo nesse compasso
e reconheço
a minha vida dança
conforme aquilo
que este míope olhar alcança



Ivana Oliveira, 25/02/2009.

26 de febrero de 2009

Perro Callejero

Yo soy mi propio perro
a lamerme las heridas
viviendo de los restos
atento a las caídas

Soy un perro callejero
corriendo en rotación
gruñiendo al espejo
echado al rincón

Un perro de la calle
nada posee, nada suma
y tan sólo ofrece
su compañía a la luna



Ivana, 15 de noviembre de 2004/ alterado en 25/02/2009.

Último Murmullo

Mi espíritu se hizo nublado
y en esta mirada mórbida
cubrió todo alrededor
con un velo de viudez.
Se me cortaron la altivez.
y me regalaron el suelo.

Si ahora, para caerme
basta con un soplo a la oreja
es que…
Si un día fuera ancho mi camino,
En mis pies se estrechó.
Si fuera tan abierta mi ventana,
a mis ojos se cerró.



Ivana, 15 de noviembre de 2004> alterado en 26/02/09

25 de febrero de 2009

Una Gaviota Triste















A Jocenilson Gaviota Ribeiro

Una gaviota está
Sola
lejos de las miradas
a la suave luz del recuerdo
silenciando la madrugada

Bajo las blancas nubes
vuelan las golondrinas
pero, para un ave triste
no hay invierno o primavera
todo es gris, todo nublado
días y noches templados
son una cosa sola

Por la playa una gaviota camina
y si el agua le toca las plumas
y si hay un pez tan cerca de ella
ya nada le importa ante el mar
donde todo empieza
y todo se termina

A otra orilla se ha ido
otra gaviota y la misma historia
dos gaviotas tristes son más tristes
que una milonga que llora

Se van las esperanzas
quedan los pasos finos en la arena
queda su mirada fija en la nada
y el amor se ahoga en olas
que en suave espuma se callan

Una gaviota triste delante del mar
nadie nunca se olvida

Ivana Oliveira, 26 de enero de 2009

Miragem

Vejo teu corpo desenhado
Submerso no lençol
Como a estátua de um deus
E não mais és meu
Sobre o teu ombro guardei
Meus risos e suspiros
Desatino, enganos meus?
Ontem mesmo, à noite
Entre meus seios sedentos
Semeaste alento
Em meus músculos suaves
Enterraste o desejo
Hoje sei:
Não mais és meu
E em teus olhos
Amanhecidos
Não mais me vejo


Ivana, 06/02/07

Mal que bem me quer

É o herói titânico dos meus dias,
Quem afugenta a neblina do descaso.
É um mal que bem me quer despetalada,
Que se quer em minha vida dilacerada ao desejo.
É um deus dentro do eu que eu reverencio
e louvo
E ai de mim!
Bloqueiam-se os membros, apagam-se os olhos
e cerra-se a boca.
É quem me move entre o céu e o inferno.
Mora em meu ser e é síndico
de tudo mais que me habita.

Tu quer, Nego?

A Amarino Queiroz

Tu quer mungunzá, nego?
Tu quer mukunzá?
Quer maculelê, nego?
Tu quer o candomblé?
Tu quer o axé de que Orixá?
Quer capoeira, quer, nego?
Tu quer vatapá?
Quer caruru, quer?
Quer, nego, acarajé ou abará?
Quer sambar na roda, quer?
Ou quer sambar mais eu?
Quer fevereiro, nego?
Quer levar cheiro pra Yemanjá?
Quer fazer mandinga, quer?
Tu tá querendo é dengo, né, nego?
Tu num tem jeito, nego
Tu tem é ginga
Tu num se nega a nada, não, né?
Tu quer, nego, o quê?


Ivana, 01:54 - 10 de setembro de 2008.

Noite de Inverno

Gatos galhardos miando ao telhado,
galanteiam no ócio, no frio, no cio.
Eu, aqui deitado em leito cálido,
Calado, insone, vazio.

Quintal

Desde as paredes o varal
de desordenada árvore genealógica
pinga no chão de cimento cru

E um céu nostálgico e azul
recorda a pipa de seda amarela
que já não se vê mais

As panelas a essa hora expulsam
o costumeiro cheiro de feijão cozido

No canto um sapato solitário
ao telhado uma boneca nua e desbotada sorri,
abandonada ao céu e ao esquecimento

E o sol, cumprindo sua sina, apenas brilha
nada questiona, nada replica
enquanto os olhos o deitam de um lado
pra despertá-lo do outro



Ivana, 17/07/07

Escuro Caminho

O silêncio cheira a nostalgia
E lhe sorriem corvos num tronco morto.
Segue caminhando
Sem luz no fim do túnel,
Sem a segurança de um porto.

Mentiu, é verdade que tenha mentido,
Ah, tantas vezes a máscara do orgulho
Cobriu a face da desilusão!
Mas a verdade o visita solene
No momento mais suave da sua solidão.

Olhos molhados – rua escura,
Já não se sabe,
Se de choro
ou de chuva.